“Mas hoje não aparenta ser somente mais uma manhã dessas com o céu nublado, com um vento frio que deixava as minhas mãos mais geladas do que já costumam ser. Levantei, tomei uma ducha bem rápida, coloquei uma roupa e fui pra um barzinho que depois que você sumiu da minha vida costumei a frequentá-lo em todas as manhãs. Pedi o de sempre, um refrigerante acompanhado com um sanduíche, é eu achava que seria apenas mais uma daquelas manhãs monótonas sem nada de interessante, pelo visto só achava mesmo. De todas as pessoas que eu poderia imaginar que encontraria naquele bar a última seria você.
-Oi. - Disse você com a sua voz que não saia da minha cabeça desde a última vez que ouvir, assim como as suas últimas palavras, isso era muito perturbador e estranho demais pra mim.
- Oi. - Respondi friamente mas com o coração quase saindo do meu peito, as batidas eram tão fortes que acho que você era capaz de escutar.
O silêncio predominou por alguns minutos entre nós dois, desviei o meu olhar de você mas foi inevitável não querer olhar mais uma vez os seus olhos claros, seu rosto pálidos e sem barba todo lisinho como costumava ser e cara isso me bateu uma saudade tão imensa que uma lágrimas escorreu do meu olho e o pior de tudo você percebeu…
- Isso foi uma lágrima? - Perguntou olhando fixamente para os meus olhos.
- Não isso não foi uma lágrima, foi apenas um cisto do meu olho. - Respondi com frieza novamente mas com o meu subconsciente gritando “sim isso foi uma lágrima seu idiota e a culpa dela ter escorrido dos meus olhos é da saudade que você me faz sentir”.
- Você mudou o corte de cabelo e a cor não foi? - Você me perguntou com um pouco de surpresa que estava esbanjada no teu rosto.
- Sim, eu mudei. - Respondi rapidamente.
- Continua linda, mas eu gostava mais do teu corte e de quando o seu cabelo era totalmente preto. - Disse-me.
- Mas eu mudei por isso mesmos, pra evitar lembrar de você quando eu me olhar no espelho. - Respondi com um risinho sínico.
- E isso ajudou? - Perguntou-me.
-Não te interessa. - Respondi.
O silêncio predomina novamente por 1 minuto e a garçonete chega quebrando todo o silêncio com o meu café-da-manhã nada saudável.
- Como sempre você e suas grosserias não é mesmo? - Perguntou você em meio a um riso.
Ah sua risada, que saudade dela.
Não te respondi, afinal você estava certo eu sou muito grossa, estúpida, fria e orgulhosa e o pior de tudo é que ainda sou sua, ainda te pertenço, ainda te preciso, ainda te amo.
- Mas e ai como você tá? - Perguntou você quebrando todo o silêncio novamente.
Dei uma mordida no meu sanduíche, engoli, bebi um pouco do refrigerante e te respondi: -Já tive dias melhores e você?
- Já tive dias melhores também… - Você me respondeu.
- Quais eram então esses seus dias melhores? - Te perguntei curiosamente esperando uma resposta daquelas bem idiotas que você me dava.
- Quando eu estava com você, esses eram esses. Pois eu acordava e sabia que te tinha, quando eu sabia que eu era o teu primeiro e último pensamento, quando eu te tinha em meus braços, quando eu podia sentir o seu perfume, quando eu te fazia sorrir e não chorar., quando “nós” existíamos. - Você me respondeu, com uma lágrima escorrendo do teu olho.
Admito, isso era tudo o que eu queria ouvir de você.
- Foi você quem desistiu, quem disse as coisas mais horríveis que eu já ouvi de alguém, o adeus sem algum motivo concreto. - Respondi.
As palavras te faltaram, foi ai que suas lágrimas começaram a cair e em meio a elas você me fez a pergunta que eu esperava a alguns meses: - Volta a ser minha por favor? Vem realizar comigo todos os nossos planos, vem, eu te juro que você não vai se arrepender, não vou te fazer mais chorar ou sofrer, eu prometo que vai ser diferente, prometo que será eterno. Volta pra mim? Eu te imploro. - Você se ajoelhou como da vez em que me pediu em namoro, com uma aliança de prata, ela tinha o seu nome e a data em que nos conhecemos.
Foi aí que eu desabei em lágrimas e te respondi: -Sim. - É apenas um sim, as palavras me faltaram, a alegria em meu coração era grande até demais.
Você me beijou e cara que saudade do teu beijo, de te sentir perto de mim, de te ter comigo e de ter a certeza de que você era meu novamente. Agora eu tinha certeza de que seria pra sempre, nosso, apenas nós.